Não é a montanha que conquistamos, é a nós mesmos

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Emigrar é uma decisão difícil.

Emigrar para nós (eu e Rodrigo) foi uma decisão altruísta. Altruísta porque fizemos isso pensando em tudo o que poderíamos oferecer para as meninas. Deixamos para trás família, amigos, carreiras, habilidade de um idioma materno, décadas de histórias e toda uma estabilidade que a vida “já pronta” poderia nos oferecer.

De um outro lado, entretanto, emigrar é uma decisão muito egoísta. Se afastar de família e amigos, espaçar os encontros com pessoas que nos amam tanto e sentem nossa falta em troca de uma vida muito boa e liberdade de consumo.

Altruísmo. Egoísmo. Por nós. Por eles. O grande dilema de não saber qual margem do rio aportar…

A vida aqui é bela. A vida aqui é difícil. Muitas vezes o choro vem, a saudade aperta e precisamos chegar ao fundo do que somos para encontrar quem éramos.

E daí você se pega chorando no segundo andar de um ônibus vermelho de frente pra o Tâmisa. Em muitos momentos esse glamour todo de cidade cosmopolita pouco importa. Porque no final das contas a vida do dia-a-dia está um pouco distante desses cartões-postais.

No verão as coisas deveriam ser mais brandas, com o Sol mais presente, o calor que quase lembra o Brasil, as 20 horas de claridade(e isso é especialmente importante para se preparar para a próxima estação) e os encontros outdoor em parques, restaurantes ao ar livre, passeios pelo rio, pequenas viagens para ver o mar e sua costa de pedra…

Alguns dizem que a vitamina D ameniza, outros que férias para a querida (e muito distante!) pátria amada… e a bem da verdade é que muitas vezes nem uma coisa, nem outra, nos tira essa inquietação de pensar o-que-diabos-eu-fui-fazer.

Esse balançar eterno é o que nos constitui, nossas características que saltam aos olhos perante àqueles que nos conhecem. É a água do mar batendo na pedra da praia que da formato, textura, cor. E é assim também com a gente.

18 meses que de tanto a água fria bater contra a pedra já consigo ver em mim outro formato, outra percepção, outros sonhos e anseios.

E mesmo naqueles dias que a vontade de não sair da cama quase vence, consigo ver o quanto já me conquistei. Passo a reconhecer no espelho essa nova Camila, que era uma completa estranha a mim mesma quando desembarquei.

O tempo. Sempre ele, né? O tempo me fez assentar a família, a ansiedade, o medo. E agora me toma pelas mãos me dando a certeza de que tudo está encaminhado. Se não como eu queria, da melhor forma que poderia ser.

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4 comentários em “Não é a montanha que conquistamos, é a nós mesmos

  1. sentei e chorei. estou bem mais perto… mas nao tenho a menor vontade de estar em SP… com a minha familia…tenho saudades da Ane da nenemdo Marcelo … nos ultimos tempos SP foi arisca comigo e com o Jo … Choravamos todos os domingos abracados na cama durante as partidas do Paulo … as pessoas nao foram legais tb nem as da familia… e acho que por isso tem sido mais facil a adaptacao… nao tenho nenhuma pretencao em voltar. eu fico imaginando que nao deve ser facil mas que deve ser uma delicia estar disponivel pra mudanca…

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